Crentes de lábios, mas ateus com as práticas

O Jornal Batista

Reflexão sobre a incoerência entre declarar fé em Deus e viver práticas que negam essa fé, destacando que a verdadeira crença deve ser evidenciada por uma vida ética, perseverante e santificada.

“Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. O Senhor olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um” (Sl 14.1-3).

Conhecemos como definição de ateísmo a descrença na existência de Deus ou deuses. Porém, o termo ateu origina-se do grego átheos, relativo a não ter nenhum relacionamento com Deus, estar sem Deus. Seu significado original era de mera impiedade, não de descrença.

Na carta aos Efésios, capítulo 2, versículo 12, podemos identificar o termo ateu nessa definição: “(…) naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.”

Os versos 1 ao 3 do Salmo 14, escrito pelo Rei Davi, refere-se a um mundo ímpio, uma possível descrição da humanidade em geral. O salmista descreve neste Salmo a condição de uma humanidade degenerada, corrompida, injusta; trata-se de uma condição de extrema decadência. O Salmista aqui, na ocasião, não trata da filosofia do ateísmo, que traz a ideia da negação filosófica da existência de Deus, mas ele trata de um modo de viver alheio, indiferente a Deus.

O ateísmo como filosofia, que propaga a inexistência de Deus, nem existia nos tempos antigos. Tal filosofia só surgiu oficialmente no século XVIII, com o Barão de Holbach, um filósofo alemão que tentou provar com sua vida que era possível ser virtuoso e ateu. Para o Barão de Holbach, a religião era algo simplesmente baseado em alguns dogmas e rituais inúteis.

Portanto, como podemos perceber, a doutrina do ateísmo é algo relativamente recente, surgiu no século XVIII e o salmista não se referia a tal filosofia, mas se referia a pessoas que falam que acreditam na existência de Deus, porém vivem como se Deus não existisse.

A afirmação do Salmista “Disse o néscio (tolo) em seu coração: Não há Deus” não se refere a pessoas que negam que Deus existe com a boca, mas aqueles que negam com o coração, com a prática, com a vida. O Salmista se refere nos versos 1 ao 3 a pessoas que se corrompem, que praticam obras abomináveis, que não têm entendimento, que não buscam a Deus, que se desviam do caminho traçado por Deus.

A expressão insensato / tolo / néscio, no hebraico, idioma em que foi escrito o Antigo Testamento, é nabal

O insensato, o tolo, o néscio é um indivíduo indiferente aos padrões morais estabelecidos por Deus. Muitos acreditam na existência de Deus, mas conduzem suas vidas como se Deus não existisse. Creem teoricamente, mas negam com a prática. Acreditam como um teísta — doutrina que afirma a existência de Deus — mas negam na prática como qualquer ateu.

Não adianta declarar com a boca a existência de Deus e desmentir essa afirmação com atitudes. Que a nossa fé seja evidenciada através:

  • De um padrão ético e moral elevados;
  • Da nossa busca perseverante por Deus;
  • Pelo caminho estreito da santificação proposto pelo Senhor Jesus e trilhado por nós.
  • Não sejamos crentes apenas de lábios, desmentindo a fé com as práticas.