E em Samaria, quem diria?
O Jornal Batista
Reflexão sobre o encontro de Jesus com a mulher samaritana em João 4, destacando graça, restauração, adoração verdadeira e o amor de Cristo por uma mulher desprezada e ferida.
A passagem do encontro de Jesus com a mulher samaritana, no Evangelho escrito por João, capítulo 4, é por demais conhecida. De fato, além disso, também é uma das mais belas passagens bíblicas.
E em Samaria, quem diria?!
Samaria, cidade que ficava entre a Judeia, ao sul, e a Galileia, ao norte, foi a rota que Jesus julgou necessária para ir da Judeia à Galileia, conforme João 4.3-4.
Sabemos das diferenças religiosas entre judeus e samaritanos e que essas diferenças tinham raízes profundas. Os samaritanos não tinham pureza racial e religiosa, e a hostilidade era tão séria que um judeu nem sonharia em pedir um favor a um samaritano, tampouco cruzar seu território.
E em Samaria, quem diria?!
A visita do Messias!
Jesus sentou-se à beira do poço para descansar por volta do meio-dia, conforme João 4.6.
Seria de fato para descansar ou para encontrar?
Era um encontro marcado unilateralmente por Aquele que é simplesmente o Ser mais notável do universo com alguém desprezada e amargurada: uma mulher samaritana.
Se os samaritanos eram, em geral, hostilizados pelos judeus, uma mulher, então, o que dizer?
Mulheres samaritanas eram consideradas em estado perpétuo de impureza cerimonial para um judeu. Daí, a surpresa!
Jesus pede um pouco de água àquela mulher, conforme João 4.7. Vale ressaltar que a surpresa dela é totalmente compreensível, como vemos em João 4.9.
Mas Jesus conduz a conversa com aquela mulher para uma direção além do assunto da separação entre judeus e samaritanos, e fala de uma fonte inesgotável e mais pura que a água do poço de Jacó, conforme João 4.10.
Quando Jesus falou da água viva que Ele próprio oferecia, a mulher, a princípio, não conseguiu compreender, achando que Ele falava da água material e da sede física, conforme João 4.11.
E o Mestre continuou com paciência e amor a detalhar, para que a compreensão mundana e limitada da mulher pudesse alcançar a essência espiritual.
Em seguida, Jesus introduz uma mudança abrupta em Sua explanação e na metáfora da água. Ele focou em um ponto sensível daquela mulher: sua vida matrimonial despedaçada, conforme João 4.16-18.
A mulher foi lembrada das muitas decepções em seus relacionamentos pessoais. Seu passado e presente eram um livro aberto para aquele estrangeiro.
A mulher, então, suspeitou que Jesus fosse um profeta, conforme João 4.19. E seus olhos espirituais foram abertos.
Conseguindo ir além do plano físico, ela questionou o lugar de adoração a Deus, conforme João 4.20. Isso revela que, quando a pessoa entra no processo de transformação, torna-se sedenta por adorar a Deus.
A resposta de Jesus foi espetacular.
Ele estabeleceu uma nova ordem: não é onde as pessoas adoram a Deus, mas como adoram.
Isso é lindo demais, porque essa explicação não foi dada a um homem, a um líder religioso, a alguém de reputação ilibada, mas a uma mulher de vida tão destruída, que ia sozinha ao poço, em pleno meio-dia, para não ser vista e hostilizada pelos demais.
E em Samaria, quem diria?!
Aquela simples mulher recebeu a explicação acerca da adoração espiritual, o culto genuíno; que Deus é espírito e, por isso, o culto no qual Ele tem pleno prazer é espiritual, fruto de um sacrifício humilde, contrito, grato e sincero.
Uma devoção verdadeira, em qualquer lugar e hora, é o verdadeiro culto a Deus, conforme João 4.20-24.
E em Samaria, quem diria?!
Aquela mulher reconheceu o Messias.
Muito mais poderíamos discorrer nessa encantadora história, mas basta entender: era uma mulher, uma samaritana, uma pecadora, uma pessoa de reputação manchada e amargurada.
Mas Jesus passou por Samaria por causa dela.
Seu olhar estava nela.
Seu amor a alcançou.
Quantas lições nesta história!
E em Samaria, quem diria?!