Uma escola bíblica de excelência
O Jornal Batista
Reflexão sobre a importância da Escola Bíblica Dominical, tomando Neemias 8 como exemplo de ensino bíblico centrado na Palavra de Deus, com reverência, preparo, explicação, aplicação e arrependimento.
Arde no meu coração um sentimento de profundo apreço pela EBD.
Sou aluna dessa escola desde a minha conversão na adolescência e, com a condução do Espírito, transmiti essa prática e sentimento para minhas filhas.
Hoje, como professora dessa escola há mais de 20 anos, graça oriunda do nosso Deus, provo da satisfação e conheço os desafios da função.
Não irei discorrer sobre minha experiência. Trata-se de uma singela introdução para refletirmos sobre a escola mais importante que cada cristão deve frequentar.
É sabido que o termo EBD não está na Bíblia e que a organização da EBD como instituição surgiu no século XVIII, na Inglaterra, com o jornalista e cristão piedoso Robert Raikes.
Mas o estudo das Escrituras Sagradas em assembleia é uma prática desde a antiguidade.
No livro de Neemias, no capítulo 8, podemos observar uma Escola Bíblica de excelência, liderada pelo escriba Esdras.
Algo que chama a minha atenção e suscita a minha admiração por Esdras está no livro que leva o seu nome, no capítulo 7, versículo 10: Esdras simplesmente tomou a decisão de se esmerar no estudo da Lei do Senhor, praticar e ensinar.
Acho isso lindo!
Como precisamos tomar essa decisão!
Ao retornar para o capítulo 8 do livro de Neemias, vemos que Esdras encabeçou aquela Escola Bíblica.
No versículo 2, podemos observar uma classe única de alunos. O texto fala de homens, mulheres e todos que podiam entender. Este último grupo inclui crianças de certa idade, pois no livro de Esdras, capítulo 10, versículo 1, somos informados de uma comoção geral, em que, inclusive, as crianças choravam amargamente confessando seus pecados.
Acho isso lindo!
Retomando o capítulo 8 de Neemias, no verso 3, constatamos que, além de uma Escola Bíblica mista, foi também longa, do raiar da manhã até o meio-dia. Tamanha pretensão em ensinar e aprender envolvia aquela assembleia.
Já no versículo 4, aprendemos que quem ensina deve ter uma postura de disposição, erguer-se ante o grupo, pois, na ocasião, é um embaixador da Palavra de Deus.
Nos versos seguintes, 5 e 6, verificamos o sinal de reverência diante da Palavra de Deus: todo o povo se levantou.
Nos versículos 7 e 8, temos a informação de que aquela grande assembleia foi auxiliada por alguns levitas, incumbidos também de ler, interpretar e explicar para todo o povo.
E aqui temos o método de ensino mais eficaz de todos os tempos: ler, explicar e aplicar.
No versículo seguinte, 9, contemplamos uma comoção geral. Enquanto a Palavra da Lei era exposta, houve arrependimento de pecados.
Precisamos buscar este resultado. Precisamos clamar a Deus para que nossas EBDs sejam renovadas e avivadas.
Às vezes, buscamos tantos métodos e inovações, e a Palavra de Deus se torna secundária.
Ela deve ocupar o lugar central. Métodos e inovações são simples complementos, não a essência.
A Palavra de Deus é viva e eficaz por si mesma. Ela penetra o âmago do indivíduo e avalia os pensamentos e intenções de cada pessoa, conforme Hebreus 4.12.
No capítulo 8 de Neemias, a história segue, mas o nosso foco é até aqui: o relato de uma Escola Bíblica de excelência.
- Precisamos rever nossas vidas no que tange ao nosso preparo para ensinar e praticar o que ensinamos.
- Precisamos rever se não estamos subestimando a capacidade dos alunos pela faixa etária.
- Precisamos rever o tempo dedicado ao ensino e se este não tem sido prejudicado com atividades extras.
- Precisamos rever, como professores, nossa postura: se é, de fato, de disposição e alegria ao ensinar ou se denota desânimo e frieza durante a aula.
- Precisamos rever se, de fato, estamos instruindo os alunos na devida reverência para com a Palavra de Deus.
- Precisamos rever a eficácia da nossa metodologia.
- Precisamos buscar uma EBD de excelência.